Flerte III
Há algum tempo
que percorro em passo tímidos
a tua superfície
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Frestas
Chuva vermelha
Não curto pessoas
O oposto do homem
magra e negra
anel no dedo mindinho
reflete meu estado de espírito
relógio grande, redondo, preto e metálico
cortina de sangue
Turbulência, dança frenética da vida
Um abraço como chocolate
Gato preto
bonecas fantasmagóricas
calça xadrez
Bad Pain
Amor Solitário
De bruços, dormindo sobre o túmulo do sonho
Botina bonita
chocolate amargo
Sou minha própria referência
Lábios cor de vinho
lábios sabor vinho
piercing
Rude e ingênua observação
Boa Dor
Anel no polegar
Hábito= tédio
melhor de trás pra frente
Sobreposição
música
rítmo
pés bonitos
cortina lilás
Eu, Feliz de não ser você
Odeio como me sinto
sobre pessoas solitárias
armários amarelos
Pratico
*************
Caniço Pensante
Eu quero esse visual, sombrio mas elegante
sem discernir o nada
do pouco que tenho
Me agradaria dizer
algo que tivesse real significado
Divido espaço com criaturas estranhas
Quero dormir
pra não ruminar
na gritante incapacidade de agir
*********
Flash
Um quase nada de remorso
testemunha teu anseio
pela rosa quase nuvem
sem contar que a colheita
desintegra o sonho
como açúcar na água
(sem o doce)
Desfeita ilusão
na fluidez da consciência
**********
A bem da verdade
não conheço a fome
só a acidez que me digere
desde as entranhas
até as bordas do macrocosmo
(Sei do desejo com tanto nome
na tepidez da carne
que gere o prato
ou mais um orgasmo)
************
Reciclado meu papel
esvoaçam dobraduras de silêncio
O não dito tem aderência e nervura
da nudez constrangedora
************
Na contemplação
embainho
a mágoa mais incisiva
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Descensor
Esparramo
Mais epiderme
Retém-me o atrito
A borda pode estar no próximo passo.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
prognóstico
Não leio o futuro
um verso
só
desabrocha no rochedo.
Som
entre meus lábios
e a suspeição de arremedo
Iriene Borges
um verso
só
desabrocha no rochedo.
Som
entre meus lábios
e a suspeição de arremedo
Iriene Borges
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Tarja Preta
Tua voz tange minha retina
indeferidos brados
ribombam no céu da boca
Sismo
catarses violetas
entredentes dissipo o eco
em beijos acres
A cidade alucina
Entre o crepúsculo brocado
E a sombra seda fosca
Cismo
tinjo as tarjas pretas
verde, champanhe, prosecco
delírio tinto em cristal ocre
O raso é sem fundo
quando desfraldas tuas velas
entre o inefável e o hostil
pelo vidro vejo o mundo
que desbota e amarela
sob teu olhar incivil.
Rosa Cardoso e Iriene Borges
indeferidos brados
ribombam no céu da boca
Sismo
catarses violetas
entredentes dissipo o eco
em beijos acres
A cidade alucina
Entre o crepúsculo brocado
E a sombra seda fosca
Cismo
tinjo as tarjas pretas
verde, champanhe, prosecco
delírio tinto em cristal ocre
O raso é sem fundo
quando desfraldas tuas velas
entre o inefável e o hostil
pelo vidro vejo o mundo
que desbota e amarela
sob teu olhar incivil.
Rosa Cardoso e Iriene Borges
domingo, 13 de setembro de 2009
(...)
Abro aspas para o silêncio que nasceu de nós
Aninhou-se em minha boca
semente de sonho no ventre seco da inércia
A verdade é so minha
embora os espelhos exijam retratação
e os estilhaços me singrem
expondo meu espólio
de cicatrizes invisíveis
Na lista de meus crimes deve constar
que matei a saudade
afogada
numa poça de ódio.
Iriene Borges
Aninhou-se em minha boca
semente de sonho no ventre seco da inércia
A verdade é so minha
embora os espelhos exijam retratação
e os estilhaços me singrem
expondo meu espólio
de cicatrizes invisíveis
Na lista de meus crimes deve constar
que matei a saudade
afogada
numa poça de ódio.
Iriene Borges
terça-feira, 8 de setembro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Delírio da tarde
Há sol lá fora e não quero ir
A saia me estrangula pela cintura
e a bota revelará o passo lerdo
pelo tornozelo esquerdo
Há um engasgo me esperando
Girassol, Náusea, Asfixia
Tenho sono e fastio dos modos humanos
e nenhum interesse na arte do improviso
Há serpentes e odaliscas ondulando sob o sol
Nunca soube distinguir os guizos
No sofá sob a colcha azul
sou a concha que verte o mar
nas almofadas
Não quero ir
Um palmo de luz pela janela já embriaga
e estou certa de que esfolarei a retina
nas asas finas de alguma fada amarela.
Iriene Borges
A saia me estrangula pela cintura
e a bota revelará o passo lerdo
pelo tornozelo esquerdo
Há um engasgo me esperando
Girassol, Náusea, Asfixia
Tenho sono e fastio dos modos humanos
e nenhum interesse na arte do improviso
Há serpentes e odaliscas ondulando sob o sol
Nunca soube distinguir os guizos
No sofá sob a colcha azul
sou a concha que verte o mar
nas almofadas
Não quero ir
Um palmo de luz pela janela já embriaga
e estou certa de que esfolarei a retina
nas asas finas de alguma fada amarela.
Iriene Borges
sábado, 22 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Confissão
Hoje matei um irmão
Meu corpo travou-se gélido
Meu rosto tornou-se pálido
E dilacerado meu coração
Foi num momento de lucidez
Ele dava-me as costas
E esperanças decompostas
O afogaram na morbidez
Então desocupei seu lugar
O limpou um pranto breve
E senti minha alma tão leve
Que não evitei gostar
Assim, porque eu o amava
E ele nunca me amaria
E pela sua enorme covardia
Ele há muito me matava
Iriene Borges
Meu corpo travou-se gélido
Meu rosto tornou-se pálido
E dilacerado meu coração
Foi num momento de lucidez
Ele dava-me as costas
E esperanças decompostas
O afogaram na morbidez
Então desocupei seu lugar
O limpou um pranto breve
E senti minha alma tão leve
Que não evitei gostar
Assim, porque eu o amava
E ele nunca me amaria
E pela sua enorme covardia
Ele há muito me matava
Iriene Borges
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