Sei que vigias a janela descoberta
Tinta fresca na fachada todo dia
a registrar a caligrafia da passagem
Sou eu à espreita
Olhos acesos no desconhecido
anseios que trepidam a cada ruído
Sou eu
imagem distorcida em teu escudo
Ergo-me do fundo escuro
serpenteando em tua retina
a farejar teu medo
Iriene Borges