Foto: Iriene Borgessexta-feira, 24 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Auto-Retrato Abstrato
Acontece que o nível decai
e cada dia se aceita menos
Os olhares doídos
e os hálitos pútridos
ameaçam entrar em mim
contaminando
qual entidade funesta
a conspurcar a vontade
Tenho ímpetos de morrer
se em meio à vida
e anseio viver
ao deparar com a morte
Meu destino é branco
para riscar a loucura
e refutar a sanidade
em fúrias negras
Temo o tédio, o ordinário
e a insensibilidade iminente
Prefiro que a vida doa
e quando dói não suporto
Na superfície sinto nada
ricocheteia o nada
arde o nada
Me corrói o nada
Iriene borges
e cada dia se aceita menos
Os olhares doídos
e os hálitos pútridos
ameaçam entrar em mim
contaminando
qual entidade funesta
a conspurcar a vontade
Tenho ímpetos de morrer
se em meio à vida
e anseio viver
ao deparar com a morte
Meu destino é branco
para riscar a loucura
e refutar a sanidade
em fúrias negras
Temo o tédio, o ordinário
e a insensibilidade iminente
Prefiro que a vida doa
e quando dói não suporto
Na superfície sinto nada
ricocheteia o nada
arde o nada
Me corrói o nada
Iriene borges
sábado, 4 de outubro de 2008
Eu vi uma mulher morrer
Em seu rosto todas as idades
pereceram serenamente
De seus olhos lembranças
jorraram até secar
De sua boca suspiros vários
em seu último alento
Eu dormi em seu corpo
rígido e frio, até de manhã
Quando acordei me recobria
sua carne dura e seus ossos
me aprisionavam severamente,
estrangulavam-me a alma
Eu não me debati
Sequer tentei gritar
Mas tinha fome de viver
e comecei a mastigar
Iriene Borges
pereceram serenamente
De seus olhos lembranças
jorraram até secar
De sua boca suspiros vários
em seu último alento
Eu dormi em seu corpo
rígido e frio, até de manhã
Quando acordei me recobria
sua carne dura e seus ossos
me aprisionavam severamente,
estrangulavam-me a alma
Eu não me debati
Sequer tentei gritar
Mas tinha fome de viver
e comecei a mastigar
Iriene Borges
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Delírio
No pensamento a tua ausência é leve.
A tua ausência é lisa, tua ausência é rasa,
e desmancha-se no meu corpo em brasa
como inúmeros brancos flocos de neve.
Nos meus sentidos dados à minúcia
a tua ausência tem um peso de aura,
um porte de musa, uma doçura rara,
silêncio de prece, delirante fragrância.
E ela é tão suave, mesmo sendo constante
que às vezes em devaneio me surpreendo
dando atenção à idéia errante
de que existe um elo permanente.
E nem por força da vontade me desprendo
da sensação de que estás presente.
Iriene Borges
http://www.bardoescritor.net/ezine.html#Del%EDrio
A tua ausência é lisa, tua ausência é rasa,
e desmancha-se no meu corpo em brasa
como inúmeros brancos flocos de neve.
Nos meus sentidos dados à minúcia
a tua ausência tem um peso de aura,
um porte de musa, uma doçura rara,
silêncio de prece, delirante fragrância.
E ela é tão suave, mesmo sendo constante
que às vezes em devaneio me surpreendo
dando atenção à idéia errante
de que existe um elo permanente.
E nem por força da vontade me desprendo
da sensação de que estás presente.
Iriene Borges
http://www.bardoescritor.net/ezine.html#Del%EDrio
domingo, 28 de setembro de 2008
Flerte
Sua fala
entremeada de sorrisos
exibe dentes delicados
Eu salivo
antecipando o sabor
Meu olhar come
você devagar,
lambendo o rosto
matizado
de cinza e rosa;
suga boca,
forma e textura
Nesse banquete
me aturde o prazer
que a língua goza
Vacilo
no gesticular constante
de suas mãos nodosas
E me deparo
com seu olho metálico,
liga de castanho e cobre,
que me procura
e foge
se me descobre.
Iriene Borges
entremeada de sorrisos
exibe dentes delicados
Eu salivo
antecipando o sabor
Meu olhar come
você devagar,
lambendo o rosto
matizado
de cinza e rosa;
suga boca,
forma e textura
Nesse banquete
me aturde o prazer
que a língua goza
Vacilo
no gesticular constante
de suas mãos nodosas
E me deparo
com seu olho metálico,
liga de castanho e cobre,
que me procura
e foge
se me descobre.
Iriene Borges
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
sábado, 20 de setembro de 2008
Mormaço
Pálpebra pesada
Da janela sonolenta
pende a fuligem preta
O castelo de nuvens
tornou-se borrão
na vista cinzenta
Mormacenta e embaçada,
atmosfera lúgubre
precede a tormenta
Opaca letargia
vai escorrer
da vidraça
Eu choro
sempre que preciso
de luzes
Iriene Borges
Da janela sonolenta
pende a fuligem preta
O castelo de nuvens
tornou-se borrão
na vista cinzenta
Mormacenta e embaçada,
atmosfera lúgubre
precede a tormenta
Opaca letargia
vai escorrer
da vidraça
Eu choro
sempre que preciso
de luzes
Iriene Borges
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
A voz
A voz é minha
E diz desencanto
Cantigas de não esperar
Angústia que se materializa
No plexo solar
É noite para toda carne
Iriene Borges
E diz desencanto
Cantigas de não esperar
Angústia que se materializa
No plexo solar
É noite para toda carne
Iriene Borges
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Delírio
No pensamento a tua ausência é leve.
A tua ausência é lisa, tua ausência é rasa,
e desmancha-se no meu corpo em brasa
como inúmeros brancos flocos de neve.
Nos meus sentidos dados à minúcia
a tua ausência tem um peso de aura,
um porte de musa, uma doçura rara,
silêncio de prece, delirante fragrância.
E ela é tão suave, mesmo sendo constante
que às vezes em devaneio me surpreendo
dando atenção à idéia errante
de que existe um elo permanente.
E nem por força da vontade me desprendo
da sensação de que estás presente.
Iriene Borges
A tua ausência é lisa, tua ausência é rasa,
e desmancha-se no meu corpo em brasa
como inúmeros brancos flocos de neve.
Nos meus sentidos dados à minúcia
a tua ausência tem um peso de aura,
um porte de musa, uma doçura rara,
silêncio de prece, delirante fragrância.
E ela é tão suave, mesmo sendo constante
que às vezes em devaneio me surpreendo
dando atenção à idéia errante
de que existe um elo permanente.
E nem por força da vontade me desprendo
da sensação de que estás presente.
Iriene Borges
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
O gosto da Saudade
Começa metálico na boca
Escorre corrosivo na garganta
E gorjeia em meu estômago
Pássaro flamejante
A revirar o meu avesso
Latejo em espasmos suspensos
Entre a fome e a náusea
O desalento já fez ninho
Em meus cabelos.
Iriene Borges
Escorre corrosivo na garganta
E gorjeia em meu estômago
Pássaro flamejante
A revirar o meu avesso
Latejo em espasmos suspensos
Entre a fome e a náusea
O desalento já fez ninho
Em meus cabelos.
Iriene Borges
domingo, 17 de agosto de 2008
Espólio
Meu coração pulsa moroso, ressentido.
Em vigília, a poesia dele se compadece
e terna o inspira enquanto ele tece
o verso, para ludibriar o gemido.
Iriene Borges
Em vigília, a poesia dele se compadece
e terna o inspira enquanto ele tece
o verso, para ludibriar o gemido.
Iriene Borges
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Compulsão.
Essa raiva que você come,
sem modos,
nesse banquete
de sombras e medos,
não sacia,
apenas incita a imensa fome.
Na primeira lambida
é doce a vida.
Na segunda escapa o sabor à língua.
E a mordida principia
o desmanchar precoce
da alquímica receita de ilusão
na sua boca.
E você aperta entre dentes o ar,
a esmagar
qualquer indício de satisfação.
Iriene Borges
sem modos,
nesse banquete
de sombras e medos,
não sacia,
apenas incita a imensa fome.
Na primeira lambida
é doce a vida.
Na segunda escapa o sabor à língua.
E a mordida principia
o desmanchar precoce
da alquímica receita de ilusão
na sua boca.
E você aperta entre dentes o ar,
a esmagar
qualquer indício de satisfação.
Iriene Borges
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Liberdade e Aflição
Onde está esse grito?
Em qual deserto de palavras?
Em qual oceano de pranto?
Estará, difuso em espasmos,
embalando um sonho morto?
Ou embargado pelo suspiro
aliviado da última esperança
fero, ata-me a garganta?
Onde está esse grito,
liberdade e aflição,
que eu evito?
O débil impulso
que ruma à garganta
mas desvia o curso
minuto após minuto
Onde está esse grito,
liberdade e aflição,
que eu evito?
Em qual abismo-
o de árido silêncio
ou de enfático cinismo-
abafo meu grito?
Sempre este rito
de hábil dissimulação
e prático comodismo
ata meu grito.
Impróprio e proscrito.
Dissipa-se na garganta.
Propaga-se no infinito!
Iriene Borges
Em qual deserto de palavras?
Em qual oceano de pranto?
Estará, difuso em espasmos,
embalando um sonho morto?
Ou embargado pelo suspiro
aliviado da última esperança
fero, ata-me a garganta?
Onde está esse grito,
liberdade e aflição,
que eu evito?
O débil impulso
que ruma à garganta
mas desvia o curso
minuto após minuto
Onde está esse grito,
liberdade e aflição,
que eu evito?
Em qual abismo-
o de árido silêncio
ou de enfático cinismo-
abafo meu grito?
Sempre este rito
de hábil dissimulação
e prático comodismo
ata meu grito.
Impróprio e proscrito.
Dissipa-se na garganta.
Propaga-se no infinito!
Iriene Borges
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