O sujeito frio
que você espezinha
só é duro por fora.
Dentro é carne e incerteza
como você é agora
Com unhas e dentes
você não quebra a casca
nem dissolve a lasca
de desencantamento
a tapar sua visão.
Deixe que esvazie
esse corpo de cólera
a arrastar sua alma
para um ringue de lodo
Dissimule na sombra
o semblante de ódio
a retorcer-se todo.
Iriene Borges
domingo, 23 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Banho
Esse sol
não seca meus cabelos
nem incinera minha fúria
Esse sol
não abre portões
nem clareia mentes opacas
E a música
é um hiato
pelo qual não passamos.
Iriene Borges
não seca meus cabelos
nem incinera minha fúria
Esse sol
não abre portões
nem clareia mentes opacas
E a música
é um hiato
pelo qual não passamos.
Iriene Borges
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Reverso
Sei que vigias a janela descoberta
Tinta fresca na fachada todo dia
a registrar a caligrafia da passagem
Sou eu à espreita
Olhos acesos no desconhecido
anseios que trepidam a cada ruído
Sou eu
imagem distorcida em teu escudo
Ergo-me do fundo escuro
serpenteando em tua retina
a farejar teu medo
Iriene Borges
Tinta fresca na fachada todo dia
a registrar a caligrafia da passagem
Sou eu à espreita
Olhos acesos no desconhecido
anseios que trepidam a cada ruído
Sou eu
imagem distorcida em teu escudo
Ergo-me do fundo escuro
serpenteando em tua retina
a farejar teu medo
Iriene Borges
domingo, 2 de novembro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Refletindo silêncio
Para longe de mim
Equilibrando-me
sobre o fio esticado
entre sonho e juízo
prestes a estatelar-me
na rudeza dos fatos
prestes a alçar vôo
rumo a pouso impreciso
Para longe de mim
A ressonância da tua voz
provoca tremores
muda o curso da libido
no murmúrio raso
do discurso fluido que escorre
para minhas profundezas
Para longe de mim
Que a figura
debruçada na janela irreal
seja a imagem colhida
pela menina em meus olhos
a ostentar indiferença
Estrela longínqua
refletindo silêncio
no mar
Iriene Borges
Equilibrando-me
sobre o fio esticado
entre sonho e juízo
prestes a estatelar-me
na rudeza dos fatos
prestes a alçar vôo
rumo a pouso impreciso
Para longe de mim
A ressonância da tua voz
provoca tremores
muda o curso da libido
no murmúrio raso
do discurso fluido que escorre
para minhas profundezas
Para longe de mim
Que a figura
debruçada na janela irreal
seja a imagem colhida
pela menina em meus olhos
a ostentar indiferença
Estrela longínqua
refletindo silêncio
no mar
Iriene Borges
terça-feira, 28 de outubro de 2008
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Auto-Retrato Abstrato
Acontece que o nível decai
e cada dia se aceita menos
Os olhares doídos
e os hálitos pútridos
ameaçam entrar em mim
contaminando
qual entidade funesta
a conspurcar a vontade
Tenho ímpetos de morrer
se em meio à vida
e anseio viver
ao deparar com a morte
Meu destino é branco
para riscar a loucura
e refutar a sanidade
em fúrias negras
Temo o tédio, o ordinário
e a insensibilidade iminente
Prefiro que a vida doa
e quando dói não suporto
Na superfície sinto nada
ricocheteia o nada
arde o nada
Me corrói o nada
Iriene borges
e cada dia se aceita menos
Os olhares doídos
e os hálitos pútridos
ameaçam entrar em mim
contaminando
qual entidade funesta
a conspurcar a vontade
Tenho ímpetos de morrer
se em meio à vida
e anseio viver
ao deparar com a morte
Meu destino é branco
para riscar a loucura
e refutar a sanidade
em fúrias negras
Temo o tédio, o ordinário
e a insensibilidade iminente
Prefiro que a vida doa
e quando dói não suporto
Na superfície sinto nada
ricocheteia o nada
arde o nada
Me corrói o nada
Iriene borges
sábado, 4 de outubro de 2008
Eu vi uma mulher morrer
Em seu rosto todas as idades
pereceram serenamente
De seus olhos lembranças
jorraram até secar
De sua boca suspiros vários
em seu último alento
Eu dormi em seu corpo
rígido e frio, até de manhã
Quando acordei me recobria
sua carne dura e seus ossos
me aprisionavam severamente,
estrangulavam-me a alma
Eu não me debati
Sequer tentei gritar
Mas tinha fome de viver
e comecei a mastigar
Iriene Borges
pereceram serenamente
De seus olhos lembranças
jorraram até secar
De sua boca suspiros vários
em seu último alento
Eu dormi em seu corpo
rígido e frio, até de manhã
Quando acordei me recobria
sua carne dura e seus ossos
me aprisionavam severamente,
estrangulavam-me a alma
Eu não me debati
Sequer tentei gritar
Mas tinha fome de viver
e comecei a mastigar
Iriene Borges
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Delírio
No pensamento a tua ausência é leve.
A tua ausência é lisa, tua ausência é rasa,
e desmancha-se no meu corpo em brasa
como inúmeros brancos flocos de neve.
Nos meus sentidos dados à minúcia
a tua ausência tem um peso de aura,
um porte de musa, uma doçura rara,
silêncio de prece, delirante fragrância.
E ela é tão suave, mesmo sendo constante
que às vezes em devaneio me surpreendo
dando atenção à idéia errante
de que existe um elo permanente.
E nem por força da vontade me desprendo
da sensação de que estás presente.
Iriene Borges
http://www.bardoescritor.net/ezine.html#Del%EDrio
A tua ausência é lisa, tua ausência é rasa,
e desmancha-se no meu corpo em brasa
como inúmeros brancos flocos de neve.
Nos meus sentidos dados à minúcia
a tua ausência tem um peso de aura,
um porte de musa, uma doçura rara,
silêncio de prece, delirante fragrância.
E ela é tão suave, mesmo sendo constante
que às vezes em devaneio me surpreendo
dando atenção à idéia errante
de que existe um elo permanente.
E nem por força da vontade me desprendo
da sensação de que estás presente.
Iriene Borges
http://www.bardoescritor.net/ezine.html#Del%EDrio
domingo, 28 de setembro de 2008
Flerte
Sua fala
entremeada de sorrisos
exibe dentes delicados
Eu salivo
antecipando o sabor
Meu olhar come
você devagar,
lambendo o rosto
matizado
de cinza e rosa;
suga boca,
forma e textura
Nesse banquete
me aturde o prazer
que a língua goza
Vacilo
no gesticular constante
de suas mãos nodosas
E me deparo
com seu olho metálico,
liga de castanho e cobre,
que me procura
e foge
se me descobre.
Iriene Borges
entremeada de sorrisos
exibe dentes delicados
Eu salivo
antecipando o sabor
Meu olhar come
você devagar,
lambendo o rosto
matizado
de cinza e rosa;
suga boca,
forma e textura
Nesse banquete
me aturde o prazer
que a língua goza
Vacilo
no gesticular constante
de suas mãos nodosas
E me deparo
com seu olho metálico,
liga de castanho e cobre,
que me procura
e foge
se me descobre.
Iriene Borges
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
sábado, 20 de setembro de 2008
Mormaço
Pálpebra pesada
Da janela sonolenta
pende a fuligem preta
O castelo de nuvens
tornou-se borrão
na vista cinzenta
Mormacenta e embaçada,
atmosfera lúgubre
precede a tormenta
Opaca letargia
vai escorrer
da vidraça
Eu choro
sempre que preciso
de luzes
Iriene Borges
Da janela sonolenta
pende a fuligem preta
O castelo de nuvens
tornou-se borrão
na vista cinzenta
Mormacenta e embaçada,
atmosfera lúgubre
precede a tormenta
Opaca letargia
vai escorrer
da vidraça
Eu choro
sempre que preciso
de luzes
Iriene Borges
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
A voz
A voz é minha
E diz desencanto
Cantigas de não esperar
Angústia que se materializa
No plexo solar
É noite para toda carne
Iriene Borges
E diz desencanto
Cantigas de não esperar
Angústia que se materializa
No plexo solar
É noite para toda carne
Iriene Borges
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Delírio
No pensamento a tua ausência é leve.
A tua ausência é lisa, tua ausência é rasa,
e desmancha-se no meu corpo em brasa
como inúmeros brancos flocos de neve.
Nos meus sentidos dados à minúcia
a tua ausência tem um peso de aura,
um porte de musa, uma doçura rara,
silêncio de prece, delirante fragrância.
E ela é tão suave, mesmo sendo constante
que às vezes em devaneio me surpreendo
dando atenção à idéia errante
de que existe um elo permanente.
E nem por força da vontade me desprendo
da sensação de que estás presente.
Iriene Borges
A tua ausência é lisa, tua ausência é rasa,
e desmancha-se no meu corpo em brasa
como inúmeros brancos flocos de neve.
Nos meus sentidos dados à minúcia
a tua ausência tem um peso de aura,
um porte de musa, uma doçura rara,
silêncio de prece, delirante fragrância.
E ela é tão suave, mesmo sendo constante
que às vezes em devaneio me surpreendo
dando atenção à idéia errante
de que existe um elo permanente.
E nem por força da vontade me desprendo
da sensação de que estás presente.
Iriene Borges
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