
Desenho vetorizado by Jairo Alt
À janela aparo a goteira
*
Há um encanto pureril em reverenciar os pingos
como em observar o andamento das nuvens
decifrar as nuances do crepúsculo
ou o escape do gato para o terreno baldio
perto da infância
*
Conforta dor
que tempestades de verão eternizem a criança
num organismo que se deteriora
*
A água que se esbate e a água que escorre
formam os acordes de uma poesia
que se esboroa no silêncio.
*
Eu aquieço
*
E o arvoredo se desfibra em coreografia espectral
verdes limpos
vivificados pelo magenta da enxurrada
Enquanto a escrita se desintegra
*
em mancha.
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Iriene Borges da Silva