Viceja a dor que não rasga o silêncio
Da linha puida do destino teço flores
e tranço cordas para enforcamentos postergados
Espero. O crepúsculo
tem sempre uma cor nova e inclassificável
em qualquer cartela - ontem um veludo azul escuro
velava o poente e a lua. Bom augúrio
para os amantes encontrados
e para as meninas que esperam-
a liberdade é mesmo azul e infinita
embora os limites de azulejo.
Para cada cristal de sal na face escondo uma pérola
no pote de açúcar ao fim do arco-íris
Iriene Borges da Silva
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Luz vulnerável
Eu procuro palavras cheias de esplendor.
Que pareçam simples, mas grandiosas
e retratem com medidas cuidadosas
minha ambição e a miséria interior.
E que transmitam meu amor imperfeito
à arte e à beleza inesgotável da vida.
Através delas minha sensibilidade vertida
em cada coração como se no meu peito.
E digam que vejo tão longe e profundo.
E sinto tanto e tudo tão perto, e voraz,
desejo tudo que vejo e tudo temo demais.
No intento de acertar eu me confundo.
Assim, ouso tentar adestrar o intelecto
para esculpir uma imagem trinunfante
sobre esta alma ingênua e petulante
Encobrindo a fragilidade que detecto
Enquanto insuflo verbos de energia
aturde-me o gosto dúbio da verdade
e dilui-se tênue visão da liberdade
em minha própria alma escorregadia
Iriene Borges
Que pareçam simples, mas grandiosas
e retratem com medidas cuidadosas
minha ambição e a miséria interior.
E que transmitam meu amor imperfeito
à arte e à beleza inesgotável da vida.
Através delas minha sensibilidade vertida
em cada coração como se no meu peito.
E digam que vejo tão longe e profundo.
E sinto tanto e tudo tão perto, e voraz,
desejo tudo que vejo e tudo temo demais.
No intento de acertar eu me confundo.
Assim, ouso tentar adestrar o intelecto
para esculpir uma imagem trinunfante
sobre esta alma ingênua e petulante
Encobrindo a fragilidade que detecto
Enquanto insuflo verbos de energia
aturde-me o gosto dúbio da verdade
e dilui-se tênue visão da liberdade
em minha própria alma escorregadia
Iriene Borges
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
(Eu) Gênia Ariana
A fumaça cinzela meu vulto no vento
suspensa
trespassa-me a paralisia do sofrimento
para o cativo
serei augúrio da degradação
para o algoz da gloria
Desde que o primeiro homem
burlou a inconsciência
um rubor de chama e sangue
mancha minha memória.
Subverte-se a hierarquia
da criação
No encalço da perfeição
a perfídia devasta a terra
O espírito é banido da matéria
e os gênios buscam exílio
na desolação sidérea
Expatriada como a judia
enjeitada como cigana
choro
eu
Ariana
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=3891757&tid=5378437564559297721&kw=primeira+guerra+mundial&na=1&nst=1
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Gavetas
Flerte III
Há algum tempo
que percorro em passos tímidos
a tua superfície
******
Frestas
Chuva vermelha
Não curto pessoas
O oposto do homem
magra e negra
anel no dedo mindinho
reflete meu estado de espírito
relógio grande, redondo, preto e metálico
cortina de sangue
Turbulência, dança frenética da vida
Um abraço como chocolate
Gato preto
bonecas fantasmagóricas
calça xadrez
Bad Pain
Amor Solitário
De bruços, dormindo sobre o túmulo do sonho
Botina bonita
chocolate amargo
Sou minha própria referência
Lábios cor de vinho
lábios sabor vinho
piercing
Rude e ingênua observação
Boa Dor
Anel no polegar
Hábito= tédio
melhor de trás pra frente
Sobreposição
música
rítmo
pés bonitos
cortina lilás
Eu, Feliz de não ser você
Odeio como me sinto
sobre pessoas solitárias
armários amarelos
Pratico
*************
Caniço Pensante
Eu quero esse visual, sombrio mas elegante
sem discernir o nada
do pouco que tenho
Me agradaria dizer
algo que tivesse real significado
Divido espaço com criaturas estranhas
Quero dormir
pra não ruminar
na gritante incapacidade de agir
*********
Flash
Um quase nada de remorso
testemunha teu anseio
pela rosa quase nuvem
sem contar que a colheita
desintegra o sonho
como açúcar na água
(sem o doce)
Desfeita ilusão
na fluidez da consciência
**********
A bem da verdade
não conheço a fome
só a acidez que me digere
desde as entranhas
até as bordas do macrocosmo
(Sei do desejo com tanto nome
na tepidez da carne
que gere o prato
ou mais um orgasmo)
************
Reciclado meu papel
esvoaçam dobraduras de silêncio
O não dito tem aderência e nervura
da nudez constrangedora
************
Na contemplação
embainho
a mágoa mais incisiva
***********
Descensor
Esparramo
Mais epiderme
Retém-me o atrito
A borda pode estar no próximo passo.
************
Há algum tempo
que percorro em passos tímidos
a tua superfície
******
Frestas
Chuva vermelha
Não curto pessoas
O oposto do homem
magra e negra
anel no dedo mindinho
reflete meu estado de espírito
relógio grande, redondo, preto e metálico
cortina de sangue
Turbulência, dança frenética da vida
Um abraço como chocolate
Gato preto
bonecas fantasmagóricas
calça xadrez
Bad Pain
Amor Solitário
De bruços, dormindo sobre o túmulo do sonho
Botina bonita
chocolate amargo
Sou minha própria referência
Lábios cor de vinho
lábios sabor vinho
piercing
Rude e ingênua observação
Boa Dor
Anel no polegar
Hábito= tédio
melhor de trás pra frente
Sobreposição
música
rítmo
pés bonitos
cortina lilás
Eu, Feliz de não ser você
Odeio como me sinto
sobre pessoas solitárias
armários amarelos
Pratico
*************
Caniço Pensante
Eu quero esse visual, sombrio mas elegante
sem discernir o nada
do pouco que tenho
Me agradaria dizer
algo que tivesse real significado
Divido espaço com criaturas estranhas
Quero dormir
pra não ruminar
na gritante incapacidade de agir
*********
Flash
Um quase nada de remorso
testemunha teu anseio
pela rosa quase nuvem
sem contar que a colheita
desintegra o sonho
como açúcar na água
(sem o doce)
Desfeita ilusão
na fluidez da consciência
**********
A bem da verdade
não conheço a fome
só a acidez que me digere
desde as entranhas
até as bordas do macrocosmo
(Sei do desejo com tanto nome
na tepidez da carne
que gere o prato
ou mais um orgasmo)
************
Reciclado meu papel
esvoaçam dobraduras de silêncio
O não dito tem aderência e nervura
da nudez constrangedora
************
Na contemplação
embainho
a mágoa mais incisiva
***********
Descensor
Esparramo
Mais epiderme
Retém-me o atrito
A borda pode estar no próximo passo.
************
prognóstico
Não leio o futuro
um verso
só
desabrocha no rochedo.
Som
entre meus lábios
e a suspeição de arremedo
Iriene Borges
um verso
só
desabrocha no rochedo.
Som
entre meus lábios
e a suspeição de arremedo
Iriene Borges
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Tarja Preta
Tua voz tange minha retina
indeferidos brados
ribombam no céu da boca
Sismo
catarses violetas
entredentes dissipo o eco
em beijos acres
A cidade alucina
Entre o crepúsculo brocado
E a sombra seda fosca
Cismo
tinjo as tarjas pretas
verde, champanhe, prosecco
delírio tinto em cristal ocre
O raso é sem fundo
quando desfraldas tuas velas
entre o inefável e o hostil
pelo vidro vejo o mundo
que desbota e amarela
sob teu olhar incivil.
Rosa Cardoso e Iriene Borges
indeferidos brados
ribombam no céu da boca
Sismo
catarses violetas
entredentes dissipo o eco
em beijos acres
A cidade alucina
Entre o crepúsculo brocado
E a sombra seda fosca
Cismo
tinjo as tarjas pretas
verde, champanhe, prosecco
delírio tinto em cristal ocre
O raso é sem fundo
quando desfraldas tuas velas
entre o inefável e o hostil
pelo vidro vejo o mundo
que desbota e amarela
sob teu olhar incivil.
Rosa Cardoso e Iriene Borges
domingo, 13 de setembro de 2009
(...)
Abro aspas para o silêncio que nasceu de nós
Aninhou-se em minha boca
semente de sonho no ventre seco da inércia
A verdade é so minha
embora os espelhos exijam retratação
e os estilhaços me singrem
expondo meu espólio
de cicatrizes invisíveis
Na lista de meus crimes deve constar
que matei a saudade
afogada
numa poça de ódio.
Iriene Borges
Aninhou-se em minha boca
semente de sonho no ventre seco da inércia
A verdade é so minha
embora os espelhos exijam retratação
e os estilhaços me singrem
expondo meu espólio
de cicatrizes invisíveis
Na lista de meus crimes deve constar
que matei a saudade
afogada
numa poça de ódio.
Iriene Borges
terça-feira, 8 de setembro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Delírio da tarde
Há sol lá fora e não quero ir
A saia me estrangula pela cintura
e a bota revelará o passo lerdo
pelo tornozelo esquerdo
Há um engasgo me esperando
Girassol, Náusea, Asfixia
Tenho sono e fastio dos modos humanos
e nenhum interesse na arte do improviso
Há serpentes e odaliscas ondulando sob o sol
Nunca soube distinguir os guizos
No sofá sob a colcha azul
sou a concha que verte o mar
nas almofadas
Não quero ir
Um palmo de luz pela janela já embriaga
e estou certa de que esfolarei a retina
nas asas finas de alguma fada amarela.
Iriene Borges
A saia me estrangula pela cintura
e a bota revelará o passo lerdo
pelo tornozelo esquerdo
Há um engasgo me esperando
Girassol, Náusea, Asfixia
Tenho sono e fastio dos modos humanos
e nenhum interesse na arte do improviso
Há serpentes e odaliscas ondulando sob o sol
Nunca soube distinguir os guizos
No sofá sob a colcha azul
sou a concha que verte o mar
nas almofadas
Não quero ir
Um palmo de luz pela janela já embriaga
e estou certa de que esfolarei a retina
nas asas finas de alguma fada amarela.
Iriene Borges
sábado, 22 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Confissão
Hoje matei um irmão
Meu corpo travou-se gélido
Meu rosto tornou-se pálido
E dilacerado meu coração
Foi num momento de lucidez
Ele dava-me as costas
E esperanças decompostas
O afogaram na morbidez
Então desocupei seu lugar
O limpou um pranto breve
E senti minha alma tão leve
Que não evitei gostar
Assim, porque eu o amava
E ele nunca me amaria
E pela sua enorme covardia
Ele há muito me matava
Iriene Borges
Meu corpo travou-se gélido
Meu rosto tornou-se pálido
E dilacerado meu coração
Foi num momento de lucidez
Ele dava-me as costas
E esperanças decompostas
O afogaram na morbidez
Então desocupei seu lugar
O limpou um pranto breve
E senti minha alma tão leve
Que não evitei gostar
Assim, porque eu o amava
E ele nunca me amaria
E pela sua enorme covardia
Ele há muito me matava
Iriene Borges
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
Desintegração
Desintegração é a ordem
Posto-me nua à janela
sem causar alvoroço
Inexistência
emparedada no cimento
sem a propulsão da dor
A ficção das asas
abandonada na cadeira
entre outros destroços
E o vazio estanque
prestes a vazar
em algum clamor
Penso, esquecida
incrustrada na moldura
de uma vida nula
Sem esboçar vigor
ou traço de candura
que sustente um verso
Iriene Borges
Posto-me nua à janela
sem causar alvoroço
Inexistência
emparedada no cimento
sem a propulsão da dor
A ficção das asas
abandonada na cadeira
entre outros destroços
E o vazio estanque
prestes a vazar
em algum clamor
Penso, esquecida
incrustrada na moldura
de uma vida nula
Sem esboçar vigor
ou traço de candura
que sustente um verso
Iriene Borges
quarta-feira, 15 de julho de 2009
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